sábado, 16 de maio de 2009

gutless medicine

São mesmo estranhos os dias em que vivemos. Poderá não nos faltar nada, tudo á distância de um clique, mas sobra-nos ignorância e uma atitude pre-adolescente do aqui e agora, muito recomendada por aqueles que realmente mandam para desviar atenções.
Não é coisa que se coadune com o antigo (século XX), onde mesmo assim o politicamente correcto não esganava o conhecimento, as artes, a ciência, a literatura. Agora está tudo padronizado, até ao mega, giga, tera, pena é que não exista.
Salvo honrosas excepções (National Geographic, Science & Vie -para leigos informados -a Nature e a Science tornaram-se fontes de soundbytes de ante-ontem). Não há revistas de ciência, história, literatura, música, cinema para leigos que espevitem a necessidade de conhecer (excepto as 2 supra-citadas que têm varias revistas, mas não sobre arte). A arte é um van gogh, picasso ou pollock estilizado e pronto, o que conta são os euros de capa.
A(s) ciência(s) passaram ao mundo secreto da espionagem e não a novas descobertas que valham a pena. Qual foi a última descoberta realmente genial da ciência? O que pássa cá para fora são informações de instituições que deviam estar acima de qualquer suspeita (OMS), mas que por qualquer razão esdrúxula, deixaram de servir os interesses das pessoas e passaram a seguir os interesses de quem nem conseguimos imaginar.
Pandemia de gripe? Ou de irresponsabilidades? Ainda não é certo que o H1N1 seja virulento nem que seja ele a causar as mortes da gripe suína. Eu, profissional de saúde, ainda não consegui perceber se se trata de uma zoonose (como a brucelose) ou não. Informação segura e credível não há. Vai-se dizendo.
E isto é o pior, porque torna ao mesmo tempo as pessoas crédulas e donas de uma atitude no mínimo infantil perante a saúde: a negação e a regressão. Juntamente com os sistemas de saúde que se desagregam, a maior das pandemias ainda está por chegar, e essa apanhará todos de surpresa, embora de novidade não traga nada, só a desinformação e o empobrecimento de carácter globais.

1 comentário:

Patrícia disse...

Pois, por isso é que a saúde e a educação são paixões e estão como estão... ou já nem estão, porque, verdadeiramente, para serem de qualidade, não dão logo, logo não interessam.